Um porto para as idéias que navegam à deriva nesta mente inquieta.

domingo, 1 de novembro de 2009

tá bom, tá bom...

então tá, tudo bem.
isso aqui tá tudo atrasado.
o último post foi em 2008.

tô tentando reativar, mas vamos devagar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Casas com nome e sobrenome

Terça-feira, cinco da tarde, favela do Valo Verde. Chove torrencialmente na beirada da periferia da região metropolitana de São Paulo, enquanto acontece mais uma reunião com moradores, para tratar do andamento das obras.
Ouço o relato de uma mulher, que há doze anos vive alí e acompanhou toda a transformação do lugar. Ela conta que as pessoas chegaram, construíram seus barracos e ao longo do tempo todo mundo se virava como podia para escapar das enchentes, dos ratos, das doenças. Quando o governo chegou, começaram as obras de saneamento, a construção das casas. A sua viela agora tem CEP, iluminação, rede de água e esgoto, seu barraco tem um número. Ainda há muito o que fazer, mas para ela, a vida ganhou um pouco de dignidade, mesmo antes de mudar para seu novo lar.
O papo estava bom, mas agora era hora dela escolher sua futura vizinhança. Alí não tem essa coisa de sorteio, anônima, impessoal. Durante as obras, as futuras casas não têm código, têm nomes. Assim, a turma se entendeu e cada um ficou do lado de quem tinha alguma afinidade. Quem gostava de som alto botaram lá no fim, as comadres ficaram lado a lado.
“Conversando é que a gente se entende”, me disse uma senhora animada, que aproveitou para me alfinetar, cobrando o prazo de entrega. Ela precisava de uma definição, pois estava juntando um dinheirinho para comprar o piso do banheiro, que seu filho, pedreiro caprichoso, tinha prometido assentar num final de semana. Pediu também para eu não instalar a pia da cozinha, já que ela ganhou um gabinete novo, completo, de inox. Prontamente, anotei no projeto: “casa da dona Adelina, sem pia”.
Aqui tem gente que nem sabe o que é morar em uma casa ou usar um banheiro, já que morou a vida inteira num barraco, muitas vezes rodeado de lixo por todos os lados. Nestas condições, o enfrentamento do déficit habitacional também é oportunidade de integrar políticas sociais, de saúde pública, educação ambiental.
Ao contrário, em muitas cidades – e Limeira não foge à regra – as políticas de habitação social ainda se traduzem na velha fórmula simplista de fornecimento de “lotes populares” ou apartamentos confinados. Mutirão, para muitos governos, ainda rima com palavrão, ou sinônimo de “se vira aí”.
Frente à urgência do problema da moradia, em muitos lugares as políticas habitacionais ainda são capitaneadas por pessoas desqualificadas que, do alto de seus home sweet home, jamais conhecerão de perto o problema, sequer saberão o nome de algum morador. Esquecem que estamos tratando com gente, e gente não é gado
.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Pra não dizer que não bloguei mais

Essa postagem é em homenagem ao PC, que andou policiando a blogosfera limeirense há um tempo atrás... ehhehe

Como estou com pressa e penso em colocar algo rápido e útil aqui, segue a indicação de filmes interessantes que assisti ultimamente:

a.) Quem matou o carro elétrico (documentário americano, vale a pena)

b.) Tapete vermelho (brasileiro, com matheus nachtergaele, simples e emocionante)

c.) Motoboys, vida loca (documentário brasileiro, atentar para a entrevista do arq. Paulo Mendes da Rocha)

Na linha dos blockbusters, vá lá, tem dois que, relaxando e gozando, vale o divertimento:

a.) Pequena Miss Sunshine (pra pensar sobre vencedores x vencidos)

b.) Rocky Balboa (pra depois dar um murros em quem estiver ao lado, ao final do filme).

Filmes que quero assistir mas não passam por aqui, há que se procurar em SP:

a.) Fabricando Tom Zé (documentário);

b.) Mestre Bimba, capoeira iluminada (documentário).

Como se vê, tenho uma certa queda por documentários. Quem quiser indicar algum legal pra eu assistir, taí embaixo o link pra deixar recado.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Na Rússia

Após um período sem postar, volto com um vídeo interessante para assistir, para quem tiver um tempinho de sobra:
http://www.dailymotion.com/video/xyfbt_los-ninos-de-la-estacion-leningrads

Documentário sobre crianças abandonadas que vivem na estação de metrô Leningradsky, em Moscou. Ganhou o Oscar de melhor documentário curta-metragem de 2004.

Nada muito diferente do que vemos por aqui: É muito triste perceber isto.

Já quem não estiver com estômago para coisas tristes:

Vale a pena dar uma olhada numas
fotos de estações do metrô de Moscou.
Me parece que algumas estações, no auge da guerra fria, foram pensadas para funcionar também como abrigo num eventual ataque nuclear.

Quem quiser viajar mais um pouquinho, é só ver o
mapa do metrô sobre uma foto aérea.

sexta-feira, 2 de março de 2007

O mapa e suas rasuras

Percebi, há alguns anos, que eu tinha um certo gosto por mapas. Para o curioso, é sempre bom desenrolar o papel, esticar na mesa e desdobrar a imaginação através do desenho da cidade, como quem vê de cima, sobrevoando. Tanto é que decidi colecionar estes mapas, dos mais diversos tipos, sem distinção: desde os mais técnicos e precisos, até aqueles turísticos, dobrados, com os desenhos das atrações de cada lugar e cheios de anúncios.
São interessantes, por exemplo, os mapas que mostram o território das cidades, onde é possível ver o tanto de terra urbanizada em relação ao outro tanto de área rural. Podemos ver o avanço dos contornos da “mancha urbana” sobre o campo, através das linhas que mostram os antigos caminhos do centro até as cidades vizinhas. Junto com as linhas dos rios, da linha férrea, do relevo, elas nos indicam a estrutura de desenho de cada lugar.
Conseguimos então compreender o sentido da cidade: um lugar onde a gente se aglomera para compartilhar o mesmo espaço, as mesmas facilidades e benefícios. Tudo fica perto para abastecer a casa, vender produtos, consertar um sapato ou procurar um médico. Neste sentido, compartilhamos também a mesma infra-estrutura, uma rede de dutos que não aparece nos mapas mais simples, mas dá suporte aos benefícios da vida no local, fornecendo água, energia. Isso tudo custa dinheiro público, que vem do bolso de quem compartilha essas redes.
Sendo assim, as cidades precisam ser planejadas para alcançar seu verdadeiro sentido. Por falta disso, compartilhamos inúmeros problemas urbanos. É preciso planejar para colocar cada atividade – moradia, trabalho, lazer, etc – no seu devido local, combinadas entre si ou não, conforme o incômodo. Planejar para tirar o máximo proveito da infra-estrutura e demais equipamentos públicos, em benefício de toda a sociedade.
No caso de Limeira, com as alterações recentes na lei de uso e ocupação do solo, promovidas pela atual administração, toda esta idéia de planejamento foi deturpada em nome de um pretenso “desenvolvimento”, que se mostra insustentável. Ao longo de várias estradas rurais, portanto fora da área urbana e sem infra-estrutura, tornou-se possível instalar indústrias de todos os tipos, abrindo brechas para induzir o espalhamento da cidade, aumentar a especulação imobiliária e ainda desestimular o uso agrícola destas áreas.
Ainda é possível reverter este absurdo, ou talvez remediá-lo. Estamos próximos das audiências finais do processo de revisão de nosso plano diretor, onde a população precisa estar informada, questionar e não aceitar este equívoco. Caso contrário, de volta aos mapas, o desenho corre o risco de ficar marcado com enormes rasuras.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Transporte público: uma questão de gentileza

Caminhando pelo centro da cidade, dia destes, reparei numa senhora franzina, cabelos completamente brancos e bem penteados, vestido florido, aparência frágil, porém de uma força de vontade que me pôs a pensar. Num instante, avistou o ônibus que vinha apressado – seus novos óculos estavam valendo a pena – levantou-se do banquinho, alguns passos e já estava na fila que descia a sarjeta e continuava uns dois metros pelo asfalto até a porta do veículo.
Tentei, num golpe de vista, medir a altura da rua até o primeiro degrau. Tinha algo em torno de dois palmos, quarenta centímetros. O motorista teve boa vontade: pediu paciência aos demais e, de pronto, um rapaz pegou-a pela mão acompanhando-a até o assento reservado. No fim da fila, outra mulher comentava que aquela cena era inédita, pois na pressa de cumprir seus apertados horários, muitos motoristas não tinham esse trato, já que atrasar o itinerário – mesmo que por motivo de gentileza – implicava em muita cobrança lá na garagem.
Admirei a vontade daquela senhora, disposta a enfrentar aquele desumano degrau, algo impensável até na mais rude construção. Desumano também era descer da sarjeta para subir no ônibus em plena rua. Desumano era aquele abrigo onde ela estava, que comportava somente o nome e mais nada. Desumano era acidentar-se dentro do veículo, caindo do assento numa curva mais rápida. Fiquei pasmo quando soube que isso é muito comum, é só perguntar para algum idoso que usa ônibus nesta cidade.
No momento em que o sistema de transporte público de Limeira expõe mais uma vez suas crises estruturais, é hora de parar e repensar tudo. Porém, repensar não é dizer, há dois anos, que estão sendo feitos testes nas linhas, que teremos uma nova linha aqui e outra acolá, que vai ter integração, que um novo modelo de sistema está quase pronto e será apresentado em breve. Até agora ninguém viu nada, e provavelmente não verá antes de entrar em funcionamento, caso nossa atual administração continue a usar o velho expediente do “regime de urgência” ou da temível “urgência especial” para aprovar esta nova lei.
Para repensar um sistema desta importância, é preciso primeiro ter um projeto para a cidade. Um projeto inteligente, aberto, democrático, para então desenhar um novo modelo de transporte público que solucione as diversas interferências dos ônibus com o meio-ambiente, com o trânsito, as ruas, as praças, as calçadas, as sarjetas, os pontos de parada, os abrigos e enfim, as pessoas. Para estas, basta uma boa dose de gentileza.

sábado, 27 de janeiro de 2007

futebol é cultura

















É, tradição se passa de pai para filho.
Fomos assistir a estréia do nosso time no campeonato da 2a. divisão paulista: Inter de Limeira x Oswaldo Cruz. Deu empate.
Apesar dos pesares, gosto do futebol da segunda divisão, as desigualdades são menores (quer dizer, nenhum time tem dinheiro) e a empolgação é maior, pois todos os times lutam para subir e disputar com os grandes.
O problema é que depois eles voltam.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

O Islã tal como ele é [ 2 ]

Outra coisa interessante para saber como é viver nas arábias é ler o blog do meu irmão, o Dubai Futebol Clube.
Ele mora em Dubai (Emirados Árabes Unidos) desde agosto deste ano, foi trabalhar numa empresa de telecom.
Trabalhar mesmo não sei se é seu foco principal. O objetivo maior eu sei que é voltar ao Brasil (sabe-se lá quando) de bicicleta, dando a volta ao mundo.
Não tá acreditando? Pra quem já fez várias viagens de cicloturismo - como aquela em que saiu de Buenos Aires e foi até Valparaíso, do Atlântico ao Pacífico em duas rodas - não vai ser muito não.
Desde pequeno eu digo que ele não tem noção das coisas. Mas até que isso às vezes é bom.

Ah, vale a pena buscar no blog os relatos da época do Ramadan, em que os muçulmanos jejuam durante o dia inteiro, e à noite se reúnem para comer e rezar. Para nós ocidentais parece um sacrifício, mas para eles é uma época de festa. Legal!

O Islã tal como ele é [ 1 ]

Não tenho conseguido escrever textos inéditos ou coisas mais "consistentes" ultimamente. Por enquanto, vou postando algumas indicações de coisas legais que vou encontrando por aí.

Nessa linha, recomendo uma entrevista interessante no site da revista Caros Amigos, onde Reza Aslan, um pesquisador iraniano radicado nos Estados Unidos, fala sobre questões como a democracia no mundo árabe, a situação das mulheres, etc.

O depoimento está longe de ser daqueles de muçulmanos "catequizados" pela doutrina ianque, ou de muçulmanos "catequizados" pela doutrina anti-ianque.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Tom Zé, de novo




Saiu um CD novo dele, o Danç-Êh-Sá.
Ainda não ouvi, mas o farei em breve.

O Tom Zé inspira os inquietos.

Parque Industrial

Em tempos em que nesta cidade (sei que não deve ser privilégio nosso apenas) se muda lei de qualquer jeito, para atrair quaisquer indústrias a qualquer preço, vale relembrar uma música que vem de uma cabeça pensante extraordinária, nosso caro Tom Zé.


PARQUE INDUSTRIAL

Retocai o céu de anil
Bandeirolas no cordão
Grande festa em toda a nação.
Despertai com orações
O avanço industrial
Vem trazer nossa redenção.
Tem garota-propaganda
Aeromoça e ternura no cartaz,
Basta olhar na parede,
Minha alegria
Num instante se refaz
Pois temos o sorriso engarrafado
Já vem pronto e tabelado
É somente requentar
E usar,
É somente requentar
E usar,
Porque é made, made, made, made in Brazil.
Porque é made, made, made, made in Brazil.

Retocai o céu de anil, ... ... ... etc.

A revista moralista
Traz uma lista dos pecados da vedete
E tem jornal popular que
Nunca se espreme
Porque pode derramar.
É um banco de sangue encadernado
Já vem pronto e tabelado,
É somente folhear e usar,
É somente folhear e usar.

(fonte: www.tomze.com.br)

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Para assistir e pensar

Então,


Assistimos um filme neste último final de semana, chama-se "Corporation".
É um documentário extremamente lúcido sobre as grandes corporações multinacionais e a fúria capitalista.

É filme desses que a gente assiste e quando termina dá vontade de juntar um monte de gente, fazer uma faixa e sair às ruas para gritar.

Para quem pretende fazer bom uso de sua massa encefálica, é uma ótima pedida.

Depois quem tiver a fim de organizar um encontro e debater o assunto, tô dentro.

De volta

Ultimamente não tenho conseguido manter o propósito deste blog.
Eu pretendia inserir aos poucos (e regularmente) alguns fragmentos das idéias que pululam aos montes nesta mente inquieta, mas no fim das contas acabei colocando somente os artigos já publicados, ou seja, os textos prontos, com as idéias já lapidadas.

Mas não tem problema não, vou tentar superar a falta de tempo.

hasta la vista!